Há quase 15 anos no mercado de casamentos, Bruno Zani, da Cenográphia Bridal GuideCENOGRÁPHIADecoração & CenografiaSão Paulo, São Paulo (Capital)Portfólio, levou as “festas com cara de casa” a outro patamar. Além de traduzir a personalidade dos noivos, os projetos do decorador são funcionais e estruturados para que a festa vá até o café da manhã! A Cenográphia Bridal GuideCENOGRÁPHIADecoração & CenografiaSão Paulo, São Paulo (Capital)Portfólio também cuida do projeto floral, tem um galpão recheado de móveis e peças e ainda desenvolve itens exclusivos. O resultado de tudo isso? Praticidade para a vida dos noivos e conceitos ainda mais personalizados! Mas, se por um lado há o sonho, por outro, é preciso manter os pés no chão. E para trabalhar com a realidade, Bruno Zani faz questão de apresentar aos noivos uma planilha de custo fechado. “Só falamos de dinheiro uma vez, depois, só vem a parte boa!”, brinca o decorador. Falamos sobre tudo isso e mais um pouco durante nosso bate-papo com Bruno Zani, olha só:

– Como tudo começou?
Vim de uma família muito envolvida com arte, com escultores com obras na Pinacoteca, e que sempre gostou de festas particulares! Então, o pulo para o mercado de decoração de eventos foi imediato, mas com alguns diferenciais. Criamos um negócio focado na parte criativa e na escola do bom gosto. Mas tive uma formação voltada para a administração, o que traz como resultado festas com preços muito controlados. Seja o orçamento polpudo ou mais limitado, conseguimos fazer com que o investimento dos noivos seja direcionado de forma que traga o melhor resultado. Para que isso aconteça, centralizamos o processo: temos nosso próprio acervo de mobiliário e peças, o que torna possível que trabalhemos com o preço fechado, de forma que os casais saibam exatamente o quanto vão gastar na festa antes mesmo de começar o investimento.

– Como a Cenográphia chegou ao mercado de casamentos?
Chegamos a este mercado por meio das festas particulares. Faz-se a primeira, que se estende para a segunda e, depois, segue em um boca a boca. Também escrevi um livro sobre decoração, que me rendeu muitos contatos e, assim, o negócio foi tomando forma! Hoje, acredito que tenhamos uma abrangência a nível Brasil e exterior.

– Você é autodidata. Como acha que isso influencia no seu trabalho?
Eu costumo dizer que produzir um ambiente bonito é quase fácil para a maioria das pessoas. Mas, quando você precisa fazer uma festa, que são vários ambientes integrados, como uma coisa bonita e pequena se transforma em uma coisa bonita, porém grande? E é aí que entra o talento específico do decorador. Para mim, o grande segredo está em ter uma boa formação e visão. Todas as experiências de inovação são criadas em minhas próprias festas particulares. Então, qualquer novo conceito em que eu pensei – e estou sempre propondo isso – são ideias testadas em ambientes que frequento. Vou dar um exemplo: tem noivos que não querem gastar com o sousplat, então, a ideia seria usar apenas o arranjo e a mesa posta. Já fiz e não fica bom, a mesa vira um estacionamento de celulares e bolsas! São testes que fazemos antes de propor e também trazemos alternativos. Não quer o sousplat? Vamos usar toalhas! E aí, voltamos à questão do dinheiro: onde aplicá-lo para que ele traga resultados respeitando o sonho e o orçamento de cada um!

Foto: Rafael Cruz

– Como funciona a planilha de custos a preço fechado?
Muitos noivos, na primeira reunião, já nos trazem o orçamento que têm e nós trabalhamos em cima dele. Então, montamos a planilha A, com o orçamento que os noivos nos passam; e a B, com elementos que acreditamos que possam dar um upgrade na festa. Se a B for aprovada, ótimo! Se não, juntos, montamos uma planilha C, mesclando a A com a B. Assim, as expectativas dos noivos são controladas! E o melhor é que só falamos de dinheiro uma vez, depois, só vem a parte boa! É muito mais gostoso assim: sair da questão prática e voltar para o sonho!

– Quais são as suas principais inspirações?
Festas com cara de casa. Me inspiro no olho no olho com o cliente. Acho que a primeira reunião não é necessariamente um briefing e, sim, olho no olho, o arrepio! É a hora em que a festa começa a tomar forma. E quando falo em festa com cara de casa, estou falando sobre a casa dessas duas famílias que vão unir noivo e noiva. Então, entender isso, essa emoção neles e em mim, me inspira. Então, a inspiração vem da referência pessoal dirigida pela minha escola de bom gosto e formação. O que isso quer dizer? Viagens, pesquisas, experiências e festas particulares, que são meu laboratório.

Foto: Rafael Cruz

– As festas com cara de casa são uma marca da Cenográphia. Como surgiu esse conceito?
Surgiu da necessidade de a festa ir até o café da manhã. Se não traduzirmos a “cara de casa” desses anfitriões, o convidado tende a cair no lugar comum, a ficar desconfortável e ir embora. Eu acredito muito em especificidade, no tailor made, no feito para você. E dentro dessa busca, a casa é o grande elemento acolhedor. Quando você é pequena e está na rua, cansada ou desconfortável, você quer ir para onde? Para casa. A casa é o elemento tradutor da sua alma. Então, se a festa tem a cara de casa do amigo que está casando, o convidado se sente acolhido e bem-vindo. E se ele sente isso, ele fica e vamos até o café da manhã! E é esse conceito que faz com que o casamento não seja uma vitrine, uma capa de revista. Elas acabam virando isso, claro, mas estou preocupado em traduzir a alma dos anfitriões. É no sentido emocional, não apenas no estético.

Foto: Rafael Cruz

– Vocês também desenvolvem o projeto floral da decoração. Como você acha que isso influencia em todo o processo?
Para nós, a flor é de tanta importância na decoração, que centralizamos o processo para que os noivos entendam que está tudo sob a mesma linha de criação. E nossas provas de arranjos não são simples provas de arranjos. Nós fazemos uma mini-festa: mostramos a mesa, a cadeira, a toalha, o sousplat, o arranjo baixo, o arranjo alto, as velas… Não é à toa que, nessa reunião, as noivas choram! Porque já existe um clima, um arrepio, e é aí que elas entendem como o todo funciona. Porque um arranjo é bonito, mas, com o todo, a sensação é muito forte!

– E quais as vantagens de desenvolver a decoração e o projeto floral?
Os noivos terem um “dono” para o projeto inteiro. Assim, o projeto tem um único dono, em que não existem intermediários recebendo instruções sobre a linha de criação. Então, fica mais fácil de receber elogios, mas também de receber críticas! Rs E não ter aquilo do “não, mas isso é do florista…”. Isso é um stress que nenhuma noiva precisa passar!

Foto: Rafael Cruz

– Como o acervo próprio da Cenográphia facilita os projetos de decoração?
A primeira vantagem é ter peças exclusivas. Temos um galpão enorme, todo organizado, com mesas, poltronas, sofás, estruturas de cenografia… Também desenvolvemos peças, mas sempre com a anuência dos nossos parceiros. Ou seja, antes de fazer uma mesa, por exemplo, vou ao meu parceiro e pergunto se ele tem interesse em desenvolver essa peça. Se ele tiver, fazemos em parceria. Se ele não tiver, já fica ciente de que estou desenvolvendo a peça em questão. Além disso, ter nosso próprio acervo facilita o controle de gastos e possibilita que trabalhemos com uma planilha de custo fechada!

– Os conceitos da Cenográphia sempre tem mesas em tamanhos e formatos diferentes. Como você acha que isso influencia na decoração e na festa?
Minha proposta é sempre dar conforto ao convidado, fluidez ao serviço e beleza à festa. E a festa com cara de casa começa no conforto e na segurança do convidado. Então, se um casal de convidados chega sozinho, ele não vai querer sentar em uma mesa para 10 pessoas. Provavelmente, vai preferir uma mesa para quatro, em que outro casal que também veio sozinho pode querer sentar. Já as mesas de 10, 16, 18 são perfeitas para os grandes grupos! Por isso, é importante que os noivos realmente conheçam seus convidados e passem esse perfil para nós. Para isso, pedimos para que eles respondam um questionário qualitativo, em que nos contam quem são seus convidados. E a partir daí, define-se a proporção das mesas.

Foto: Rafael Cruz

– Você também gosta de usar as mesas bistrô. Com que tipo de festas elas combinam mais?
Combina com todos, mas é ótima para casamentos com muitos convidados jovens. A mesa bistrô baixa é muito interessante próximas à pista de dança. Porque, assim, consigo tirar o convidado da mesa dele, que é mais formal, para trazê-lo para a pista com mais conforto. É uma proposta interessante para quem não dança, mas tem um parceiro que dança.

– E o que você acha que é tendência em casamento?
Casamentos com pé no chão na hora do orçamento. Arranjos desestruturados, completamente personalizados. Festas equilibradas por inteiro: a identidade visual começa no convite e tem que seguir o mesmo padrão na mesa dos convidados, na mesa de doces, no banheiro, nos móveis, no bar, etc. Festas com cara de casa, em que o convidado vai até o café da manhã. E isso também é uma responsabilidade do decorador, que precisa estruturar a festa para que ela dure 12h.

– Para você, o que é luxo em decoração de casamento?
O luxo é chegar ao extremo do seu sonho sem levá-lo ao over, ao exibicionismo. O luxo é ser autêntico.

– Quais as principais diferenças entre decoração de casamento na cidade e na praia/campo?
A cidade permite todas as possibilidades. Já praia e campo são bem parecidos e limitam um pouco mais. Mas, ao mesmo tempo, também permitem uma proposta um pouco mais informal. É difícil usar brilho e cristais na praia. Já no campo, existe espaço para castiçais de prata e toalhas mais clássicas.

– De quais elementos você gosta para a cidade?
As festas na cidade são mais “vestidas”. Gosto de usar tudo que posso: tapetes, abajures, livro, lustres, almofadas, sofás…

– E para o campo ou praia?
Acredito na rusticidade, no chic e confortável. Para a praia, gosto de juta, corda, bordados, materiais recicláveis – aliás, a sustentabilidade é muito forte nos casamentos que fazemos e que assim permitem. Acredito também na brasilidade, em respeitar a comunidade que está recebendo o casamento e valorizar a mão de obra local.

Foto: Rafael Cruz

– Quais são as três dicas que você daria em relação à decoração do casamento?

  1. Quando for procurar referências, olhe fotos abertas, veja a festa como um todo! Um arranjo, um guardanapo, um sousplat… É tudo lindo em um close. Mas como isso funciona num todo? Repare nos detalhes, sim, mas veja o todo!
  2. Faça da sua festa a sua casa.
  3. Escolha profissionais com quem tem afinidade. Você vai ficar pelo menos seis meses convivendo com aquela pessoa, e é legal que o processo seja gostoso e íntimo. É preciso se sentir à vontade para pode expressar tudo o que sonha sem constrangimento!