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Bate-papo sobre flores de casamento com Lucia Milan

Com quase 20 anos de carreira, a florista Lucia MilanFornecedoresLUCIA MILANFloristasSão Paulo (Capital)Leia mais é uma das pessoas mais chiques que a gente conhece. Toda vez que a encontramos temos uma aula de bom gosto e cultura! Antenada e sempre de malas prontas, ela não para e traz de diferentes lugares do mundo ensinamentos e técnicas para seus projetos florais, sempre respeitando a natureza e a sustentabilidade – sua filosofia de vida e trabalho. Para saber mais sobre o seu modo de trabalho e pegar boas dicas para as noivas, batemos um longo papo com ela. Vem ver:

– Como tudo começou?

Comecei ao lado da minha mãe Aparecida Helena, que é uma grande florista, há uns 20 anos. Abrimos um atelier floral que atendia ao público final e eventos. Há mais ou menos oito anos, decidi seguir carreira solo. Foi aí que nasceu a Lucia Milan Flores.

– E o que mudou com sua carreira solo?

Houve uma grande mudança minha enquanto artista e empreendedora. Deixei de lado o volume para focar em clientes que tinham algo a ver com minha filosofia de vida e trabalho, que é mais orgânica, sustentável. Passei a não querer apenas vender flores, mas sim criar memórias nos casais. Quero que eles olhem uma flor e lembrem de cada momento aqui no atelier, do casamento, que criem uma intimidade com as flores (caso ainda não tenham). Hoje posso dizer que encontrei meu caminho. A maioria dos noivos que me contratam chegam até mim por conta desta forma de trabalhar, deste cuidado e respeito com a natureza.

– Como este estilo orgânico e sustentável se reflete nas decorações?

Brinco que em arranjos felizes! rs Aprendi a respeitar que se o galho está para a direita, quem tem que se moldar sou eu artista-florista, e não simplesmente amarrá-lo de forma agressiva. Cada arranjo meu é único e diferente. Outro ponto que me diferencia bastante é a simplicidade. Acho tão chic o simples. Hoje mesmo fiz um arranjo só de capim, sem nenhuma flor. Não é só de rosas, peônias, tulipas e orquídeas que se faz uma decoração de casamento. Respeito todo tipo de trabalho, mas aquelas decorações com milhares e milhares flores por todos os lados não me encantam.

Muito mais elegante que o volume, é a arte de como as coisas são feitas no dia do casamento. Se a gente pensar em decoração floral, é muito mais bonito ver um arranjo inédito, mais solto e único, do que 50 vasinhos com rosas espremidas e apertadas. As flores são tão bonitas, gosto de deixá-las livres e grandiosas nos arranjos. Focos de interesse são mais bacanas que instalações com profusões de flores.

Foto: Julia Ribeiro

– E na forma de trabalhar?

Hoje já quase não compro mais flores dos grandes atacadistas. Prefiro sempre os pequenos e locais. Se o casamento for fora de São Paulo, gosto de estudar a região, conhecer quem atua por lá. Costumo viajar meses antes para conhecer o que o destino pode me oferecer e como posso ajudá-lo também. Um exemplo foi um casamento que fiz na Amazônia. Seria muito mais fácil eu levar tudo pronto daqui, mas foi uma das experiências mais interessantes que já tive. No boca a boca, conheci a moça que planta as flores em uma fazenda, o artesão que faz cestos da cultura local, o outro que fornece escamas de peixes… Consegui construir uma decoração que tinha tudo a ver com o cenário escolhido pelos noivos. Além disso, reutilizo todas as embalagens. Não dá para você produzir milhões de lixos todos os dias e achar normal.

– Isso seria sua definição de luxo em casamento?

Total. Não há nada mais luxuoso que fazer alguma coisa na qual todos saem felizes. Os noivos, os profissionais e o mercado local onde o casamento acontece. Chic para mim não é dizer que as flores do casamento vieram de grandes pólos, como uma forma de riqueza, mas sim que, através daquele casamento, eu pude ajudar algum pequeno produtor de flores local a continuar trabalhando nos dias de hoje.

Foto: Julia Ribeiro

– Além do seu estilo, o que seria um diferencial de serviço seu?

Acho que a forma de trabalhar. Quando uma noiva fecha comigo, a data é só dela. Não faço dois ou três casamentos no mesmo dia. Tenho meus assistentes que me ajudam com os arranjos menores, tudo sob meu olhar, mas os grandes, o bouquet, o arranjo da mesa de doces, da entrada, estes são todos feitos por mim. Outro cuidado que tenho é com relação ao comportamento dos profissionais que estão comigo. Educação, organização e ordem são qualidades que prezo em minha equipe.

– O que você oferece aos noivos?

Todos os eventos – o casamento em si, pré e pós (noivados, jantares, chás) e até a manutenção floral da casa após o casamento.

Foto: Julia Ribeiro

– Quanto tempo antes você pede para os noivos te procurarem?

Acho que de oito a seis meses é o ideal. Como as tendências mudam muito, pode ser que um ano antes seja muito cedo e elas mudem de ideia várias vezes. Com o tempo menor, as noivas já possuem uma ideia um pouco mais formatada na cabeça.

– E como funcionam os encontros depois do contrato?

Se os noivos têm um decorador, nosso maior contato é através dele. De qualquer maneira, gosto de recebê-los aqui no atelier. Peço para o fornecedor dos móveis mandar as peças principais que serão usadas na decoração e faço uma mostra antes do casamento com os arranjos que pretendo apresentar no dia. E é muito gostoso, porque quero que seja uma experiência esse encontro. Então tento descobrir qual é a música do casal, coloco um cheirinho no ambiente, faço uma decoração com velinhas. E explico as flores, as escolhas, as misturas, texturas… Ganho o dia quando desperto a paixão deles pela natureza. E acho que é neste momento que eles começam a construir a história da nova casa. É com as flores do casamento que surgem as primeiras memórias florais do casal.

Foto: Julia Ribeiro

– Você não para. Quem te segue nas redes sociais vê que sempre está viajando, fazendo cursos e estudando. O que de mais legal você tem visto lá fora?

Sim, adoro estudar, conhecer, aprender. Os grandes floristas de fora estão muito voltados para o natural e para a consciência enquanto profissional. E mudei e mudo muito com os ensinamentos deles. Hoje, quero que as flores durem mais, também já não uso mais espuma floral (que é poluente, feita do petróleo). Nesta última viagem para a Inglaterra, os floristas estão plantando suas próprias flores no jardim de casa. Sem agrotóxicos! Estou começando a minha produção aqui.

– Como funciona a sazonalidade das flores?

Existe uma super sazonalidade de flores. Porém, mais que decidir a flor em si, meu conselho é que a noiva decida o perfil do casamento (romântico, moderno, se gosta de branco, tons pastel, cores quentes, mix de cores…). O restante é uma construção ao longo do percurso com o florista. Rosas, tulipas, hortênsias e orquídeas têm o ano todo e podem ser a base do projeto. Conforme o casamento se aproxima, conseguimos incluir as opções da estação.

Foto: Divulgação

– Para uma decoração praiana, que cuidados são necessários?

Acho que o principal cuidado é com relação à delicadeza da flor escolhida. A gente tem tanta opção bacana, que não vale se arriscar de ter flores murchas e queimadas no dia do casamento. Gosto muito de usar flores e vegetação local. E mesmo que a noiva tenha um estilo romântico e queira rosas e tulipas, dou um toque com capim, mato seco, uma flor tropical no meio do arranjo, uma palmeirinha…

– Você tem um acervo grande de peças. Elas também estão disponíveis para as noivas usarem na decoração?

Com certeza. Costumo comprar em viagens vasos e peças que acho interessante. Tudo que está no meu acervo está disponível para as noivas usarem. E não quero ganhar dinheiro com isso, o custo é apenas de reposição caso aconteça alguma coisa.

Foto: Divulgação

– O que é tendência em decorações florais?

Sinto que as decorações florais estão cada vez mais se voltando para a natureza, o que a gente chama de tendência botânica. E é por isso que hoje vemos muitos elementos além das flores, como sementes, cascas, galhos e trigo…

Outra linha é a tendência dos mestres holandeses, que são aqueles arranjos de natureza morta, fotografados com fundo escuro, com romãs abertas… Isso é muito sofisticado, sou apaixonada.

E além de estilos, também temos novidades nos formatos. Agora não há mais só uma guirlanda ou uma estrutura reta. Hoje os decoradores estão fazendo instalações.

Fotos: Constance Zahn

– O que é tendência em bouquet?

Por culpa do aumento dos destination weddings, os bouquets mais coloridos e de flores diferentes estão aparecendo com frequência. Hoje é possível ver opções com protéias, suculentas, galhos…, o que sinceramente não acho uma opção muito inteligente. As coisas diferentes têm circunstâncias e saem de moda. A mulher vai se ver de noiva para sempre, e daqui a dez anos ela quer se ver elegante. Por isso, quando o assunto é bouquet gosto dos clássicos. E pensando em técnica, como hoje temos muitos floristas novos que estão interessados em técnicas clássicas, vejo que os bouquets aramados e estruturados tendem a figurar nos próximos meses.

Foto: Julia Ribeiro

– Qual a combinação de cores que você mais gosta?

Sou uma romântica incurável, apaixonada por rosa velho. A combinação do vinho com bege e rosé é um mix feliz que gosto muito.

– 3 dicas para as noivas na hora de escolher o projeto floral:

1.  Tenha levemente um conceito, um gosto, tom, algo que realmente goste e espera para o casamento. Não precisa entender de flores, mas alguma referência que possa ser um norte para o profissional. Isso evita desgaste e frustração.
2. Escolha um profissional em que você confie, o projeto floral é muito importante na decoração, não pode ter dúvida ou insegurança.
3. Mesmo que você não tenha interesse em flores, reserve um pouquinho do seu tempo para as flores, porque é neste momento que você irá criar uma memória floral para a sua casa e vida de casada.

Fotos: Fernando Lousa

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