Ela é uma das doceiras mais tradicionais de São Paulo, sendo referência em delícias árabes. Mas, se engana quem para por aí. Suas linhas de chocolates e kosher têm conquistado cada vez mais fãs, além de outras tantas opções que possibilitam fazer uma mesa inteira só com ela. O nosso bate-papo de hoje é com a Fifi Doces Bridal GuideFIFI DOCESBolos & DocesSão Paulo, São Paulo (Capital)Portfólio, que passou uma tarde super gostosa, literalmente, aqui no Studio CZ. Além de contar um pouquinho sobre como tudo começou, também deu boas dicas para os noivos que querem diversificar a mesa de doces. Dá uma olhada:

Como tudo começou?

Minha mãe é de origem libanesa e tinha muito conhecimento da doceria, o que sempre me encantou. Nos anos de 1967 e 1968, na época das greves estudantis, eu me mudei para a Inglaterra, casei e me vi sem saber cozinhar nada. Comecei a fazer muitos cursos e me encantei pela pâtisserie e confeitaria. Na volta para o Brasil, fiz mais cursos e comecei a ministrar alguns. No Natal de 1985, fiz potes de marron glacé para presentear amigos. Foi uma enxurrada de ligações querendo mais, meu telefone não parava. Esse foi o pontapé da Fifi Doces Bridal GuideFIFI DOCESBolos & DocesSão Paulo, São Paulo (Capital)Portfólio, e de lá para cá eu não parei mais e só aumentei as opções.

Você se tornou uma das maiores referências em doces árabes, quantas opções você tem?

Por culpa da minha origem, comecei a reproduzir as receitas da minha família. São inúmeras opções, do Swarsit, que é de massa folhada com pistache, passando pelo Mamul de tâmara, até os clássicos de damasco e marzipan. E acabei me tornaram referência em doces árabes para casamentos, porque dei um novo acabamento aos clássicos, como a rosa de damasco. Me lembro da primeira festa que fiz, para a família Safra, e que fiz uma mesa inteira só de doces árabes. Os convidados ficaram encantados.

Pulseira de marzipan, Damasco quadrado ou enrolado com pistache ou amêndoa, e Swarsir

E de onde vem suas inspirações para repaginar os doces?

Primeiro dos cursos de pâtisserie que fiz em Paris, principalmente na Le Cordon Bleu, onde a estética é muito rigorosa. Segundo, de família mesmo. É muito comum haver competição entre as mulheres de origem árabe para ver quem faz o prato mais bonito. Lá em casa, eu e minha irmãs “competíamos” pelo título de melhor. E minha mãe era muito exigente, nunca gostava de nada! rs Também não posso deixar de falar de um dos meus maiores incentivadores, que foi senhor Nilson França, do Buffet França. E até hoje busco novas inspirações e faço questão de visitar as maiores feiras de doces do mundo, em Nova York, Paris…

Flor de damasco, losango tricolor e cache-pot de damasco e pistache

Mas isso não quer dizer que você só faz doces árabes. Quais outras qualidades você faz?

Apesar de ser tradicional nos doces árabes, minha maior paixão é o chocolate! rs Ao todo temos 35 doces no catálogo, mas é importante deixar claro que conseguimos criar um doce novo a cada casamento. Por ter todos os processos internos, fica mais fácil inventar para cada casal.

E quais os clássicos destas linhas não-árabes? 

O puxa-puxa é o mais pedido. Faço um caramelo banhado no chocolate e com amêndoas inteiras. Aliás, eu me nego a usar aqueles farelos nos meus doces, pra mim tem que sentir o gosto e a textura das nozes. Além disso, também temos uma linha só de brigadeiros, que podem ser caramelados ou não, e outros tantos de frutas.

puxa-puxa, Caixinha de Nutella e praline de avela, Caramelo com flor de sal e caixinha de chocolate

Você também faz doce kosher, certo?

Kosher e sem lactose também. No Kosher, conseguimos fazer todos do cardápio tradicional. E como temos a cozinha própria, o nosso custo acaba sendo menor que de outras docerias que precisam chamar um rabino para fazer a supervisão. Já no sem lactose, os doces sem chocolate já são sem lactose. E os com chocolate podemos fazer com chocolate meio amargo, o que os torna sem lactose também.

Uma coisa que acho importante falarmos é sobre o sabor. O seu doce sempre me encantou por ser fresquinho e não ser tããão doce!

Obrigada! Isso é uma coisa que eu prezo muito na minha cozinha. Tirando as nuts que consigo armazenar, claro, todo o restante dos nossos ingredientes são frescos e transformados internamente. Faço o doce de leite, por exemplo, no dia da festa. Não tenho nada congelado.

Tarte au citron e Bola branca de pistache

Você manda doces para todo o Brasil?

Para o Brasil e o mundo. Minha irmã tem um buffet no Panamá, e sempre envio doces para lá. Precisa ter um passageiro, claro, mas temos muita experiência e cuidado de embalar todos individualmente e de forma que dê para despachar sem estragar.

Brigadeiro de bolo de cenoura

Bola branca de pistache e brigadeiro de nozes com crocante de nozes

Quantos doces você recomenda para a mesa de doces do casamento?

Olha, eu sou daquelas que come com os olhos. Então, para mim, tem que ter o maior número de variedades que puder. E tudo bem que um pode acabar, porque terão outros tantos para serem provados. Aconselho sempre fazer, no mínimo, 60 doces de cada.

Para os noivos chocólatras, você acha que dá para fazer uma mesa só de chocolate? 

Que dá, dá. O que faço muito no Rio de Janeiro e recomendo é fazer duas mesas, uma só de variações de chocolate e outra com os demais. Você consegue chamar a atenção para a paixão dos noivos pelo chocolate, e ainda atender os convidados que não o comem.

Tubinho de chocolate callebaut com trufa de laranja, e cestinha de marzipan

Como funciona a sua degustação?

Prefiro sempre que seja no meu ateliê, porque tenho a certeza que os doces ficaram nas condições corretas para serem servidos. Quando enviamos para os noivos, muitas vezes acontece de guardarem na geladeira, ou de os doces ficarem muito tempo no carro… tudo o que pode alterar a qualidade e textura, por exemplo. Mas é claro que enviamos quando não é possível estar presente. E gosto de receber os noivos e as assessoras, porque consigo apresentar todas as opções, além de criar, a partir do bate-papo, um doce novo na hora. Já tive muitos casos desses, de a noiva chegar, provar dois ou três e querer um mix deles. Além disso, temos também parceria com empresas de peças e forminhas, o que já pode ser tudo resolvido ali mesmo com a gente.

Você recomenda identificar os doces na mesa?

Sempre. Acho delicado com os convidados e evita o desperdício de alguém pegar algum que não gosta. Gosto também de recomendar uma copeira. Temos profissionais que trabalham com a gente que estão à disposição para ajudar no casamento. Uma copeira não é só para deixar a mesa sempre linda e arrumada, mas também para explicar cada docinho para os convidados. Quando você tem um profissional que sabe como o doce é feito, todo o processo dele, você não só o torna mais saboroso, como também mostra que os noivos tiveram todo o cuidado na hora de escolher cada um.

Você também faz bem-casados?

Faço vários tipos de lembrancinhas, que podem ser tanto para o casamento, quanto para os eventos pré e pós-wedding. Além do bem-casado, o puxa-puxa é uma ótima opção. Faço maior, banho inteiro de chocolate e faço com uma embalagem bem bonita.

(Fotos: Divulgação)

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